21/04/2017

Dica de filme: Fragmentado [SPOILER]


Por que o filme Fragmentado é bom? Assisti duas vezes sem protestar e achei incrível, principalmente a atuação de James McAvoy, que interpreta Kevin, um rapaz que tem 23 personalidades distintas, por conta de um transtorno dissociativo de identidade e particularmente, pelo menos na minha percepção, o ator fez bem seu papel, ou melhor, seus papéis, pois é possível notar as diferentes expressões e características de cada personalidade, que vai desde uma criança, até mesmo um estilista e uma mulher. Ok. Já deu para entender que achei incrível, agora vamos finalmente falar sobre o filme!

Fragmentado tem direção e roteiro de M. Night Shyamalan, quem é esse cara? O mesmo que dirigiu O Último Mestre do Ar, A Vila, Corpo Fechado, A Dama na Água, Sexto Sentido, entre outros títulos. Em Fragmentado, algumas das facetas de Kevin, Patricia e Dennis, querem manter o controle e liderança, tirando a "luz" de outras personalidades. 

Eles querem dar espaço a algo maior, querem que acreditem em seu poder, especialmente por meio da Fera e para isso, sequestram três garotas, que tentam escapar, mas apenas uma sobrevive por conta de todo o sofrimento que já passou, Casey (Anya Taylor-Joy), tem sua história também contada ao longo do filme, o que nos leva a entender tudo o que já passou, compreendendo também um pouco de sua personalidade.


Tudo no filme parece ser bem pensado e ao longo dele vamos descobrindo mais detalhes, juntando as peças, podemos até pensar que no final dá tudo certo, mas não, Kevin é colocado para "dormir" bem longe por suas personalidades que possuem intenções ruins e elas passam a ter controle, fugindo após a morte das garotas e sobrevivência de Casey. O que fez a dúvida de uma continuação surgir, já que existiu esse possível gancho no final. 

Veja o trailer a seguir:


13/04/2017

Precisamos falar sobre 13 Reasons Why e compreensão

Já aviso que tem spoiler. É necessário ainda abordar 13 Reasons Why? Mesmo depois de tantas críticas e repercussão nas redes e círculos sociais? Falar MAIS dessa série? SIM! Por qual razão eu enxergo essa necessidade? Assim como Black Mirror, ela aborda questões essenciais para a sociedade. No entanto, 13 Reasons Why vem com o diferencial: o suicídio que é deixado claro desde o começo da série. Muitos sabem que existem, muitos sabem que o número é grande, mas pouco se fala. A questão é que existe recomendações da OMS para a forma que a mídia retrata o suicídio, não só em filmes e séries, mas até mesmo os jornais e revistas contam com restrições e são cautelosos ao se tratar desse assunto.

Por essa razão, não se recomenda para que todos vejam a série e existem avisos em alguns episódios sobre cenas que podem ser fortes. Afinal, pode gerar um efeito cascata e não há palavras para descrever o quanto seria lamentável. Para quem ainda não sabe, a série, mostra, basicamente os motivos que levaram Hannah Baker ao suicídio. Li alguns comentários infelizes de que Hannah não sofreu muito para fazer isso, mas desde quando o sofrimento alheio pode ser pesado e julgado dessa forma? Uma palavra, uma ação, pode ter um peso imensurável para alguém e quando a pessoa não conta com a ajuda necessária, com o passar do tempo, o que muitos julgam como "pequenas coisas", acaba tendo consequências devastadoras.

É preciso falar sobre o suicídio buscando reverter o quadro, vi notícias que retratam que a busca por ajuda aumentou depois da repercussão da série. Buscar ajuda em caso de depressão, entre outras questões psicológicas, é difícil para quem precisa enfrentar, mas enxergar a importância de fazer isso, é possível e é algo que merece ser impulsionado. Hannah Baker teve outro destino, as pessoas de seu círculo social escutaram fitas para saber o que tinham feito a ela. Besteira ter feito as fitas? Não ter conversado? Não ter buscado mais ajuda? Ter cometido suicídio? ESSAS NÃO SÃO AS QUESTÕES. As pessoas precisam respeitar mais, sair de suas bolhas e olhar mais pelo próximo, é uma mania infeliz questionar as razões que fizeram de uma pessoa vítima em toda situação, roubo, estupro, entre tantas outras, já perceberam? A vítima parece contar com mais questionamentos do que qualquer um. Isso tem que parar.

A série é necessária por dar brecha para a reflexão, se atente ao seu redor, ao reunir assuntos como bullying, estupro, suicídio, machismo, entre alguns outros, ela acaba chocando muito mais do que estamos acostumados a ver. O suicídio de Hannah é mostrado, o estupro de duas meninas é mostrado, assistimos o desgaste, o choro, as piadas, ouvimos coisas que geram tamanha indignação e choque, talvez justamente por sabermos que é real. Só escrevendo esse texto que percebi realmente a razão de eu ter gostado tanto da série e defendê-la, não estamos nem um pouco distantes de 3 Reasons Why e é preciso trabalhar muito para que o cenário mude.

Uma das questões mais complicadas é a compreensão, é realmente entender que não adianta aplaudir a série e insistir em dizer que muita coisa é frescura, em "zoar" aquela pessoa na escola e compartilhar imagens/vídeos com comentários infelizes. Nem tudo é piada. Quando dizem que devemos considerar que cada um enfrenta batalhas que não conhecemos, não é só pra compartilhar e ganhar likes, é para levar a sério isso para sua VIDA. Não diminua, nem machuque alguém para se sentir bem, não seja um porquê.

23/03/2017

A depressão e florescer

Na mente, um incômodo sem explicação vai surgindo. O peito alerta para a sensação de aperto. São tantos pensamentos, de onde vocês estão surgindo? Por que a respiração já não é a mesma? Minha cabeça dói, já não sei mais até que número contar para dar sentido a história de que isso ajuda a acalmar.

Aconteceu algo com a concentração, está fora de controle. A memória, às vezes, dá uma escapada entre tanta turbulência. É válido lembrar, e o ânimo, cadê ele? Se faça presente, pelo menos você. Alguns dizem que é preguiça, mal sabem que se for pra ser apenas preguiça, estamos implorando por ela.

Os olhares são estranhos, algo está machucando. Como lidar com aqui dentro sem conseguir o suporte do lado de fora? Respira, respira, respira. Vai passar. Aumenta dose. Troca a terapia. Uma crise, uma dor, um desespero, uma lágrima. Passa, passa sim. Lá fora quem te julga, nem imagina cada luta, dia após dia.

Você ainda sabe florescer, eu sei que sabe. Nós sabemos. Depois de cada aperto, dor e lágrima, o suspiro ainda pode ser leve. Pode não ser hoje, pode não ser amanhã, mas um dia será e você terá certeza que algo muito bonito e forte ainda existe em ti. Só não desista.

30/12/2016

Abrace os finais

Queria escrever uma boa carta de final de ano para você, te dar esperanças para um ano melhor e dizer que ainda estou aqui, firme e forte lutando para construir algo bom, que vivo na correria, mas que ainda assim lembro de você e torço por cada passo teu. É, queria te escrever algo que arrancasse um belo suspiro, quem sabe uma lágrima, de qualquer forma, queria, de alguma maneira, te trazer para perto de mim e falar tudo o que você está prestes a ler. Quer saber qual é a verdade?

Não aguento mais te escrever. Acabou a luz e minha bateria está em seus últimos suspiros. Eu tentei fugir de todas as formas de pensar, sobre qualquer final,  mas você sabe como é, não é? A luz acaba, a bateria também, sem redes sociais, sem qualquer coisa que carrega o costume de te entreter dia após dia. Aí, é inevitável fugir de reflexões que normalmente só fazemos em datas especiais de final de ano, foi nesse meio em que você surgiu na minha mente, em que tudo surgiu.

Não sei se foi naquela música que coloquei do Oasis, James Blunt, Legião, se foi ouvindo as antigas do Justin Timberlake, Maroon 5 ou Tiê, a verdade é que minha playlist nostálgica está tão bagunçada quanto eu. Imagina que merda? Acabar a luz perto do final do ano por horas, você só ter o word e suas músicas antigas? Sendo assim, poderia estar escrevendo sobre outra coisa, pegando o violão para tocar qualquer música que me ligasse com tudo isso, não com você.

Fugi da saudade tanto tempo, fiz da distância uma falsa parceira, com quem tento lidar, mas na verdade não sei ou pelo menos achei que não soubesse. A verdade é que percebi que menti quando disse que odiava finais, quando odiava ter te perdido. O que eu mais detestei é ter me perdido depois de tudo o que aconteceu. Me odiei com a depressão, com cada remédio, me odiei sem saber lidar com cada coisinha que já tinha acontecido, simplesmente por não abraçar um final para receber de peito aberto um novo começo.

Ah, dói. Você sabe que dói. Doeu quando foi com você, quando foi com Maria, João, Paulo ou Pedro. Doeu para todos eles, ainda vai doer para mais pessoas e talvez seja sempre assim. O final dói. Esse ano de 2016 foi cheio dos finais e talvez seja uma boa hora para por um em tudo isso. Não sinta culpa, raiva, nem nada, só abrace tudo o que aconteceu, bem apertado e deixe ir. Me deixe ir.

Parece que não, mas deixa que pela manhã, não importa qual ela seja, você se dará conta de que um dia achou que nada iria mudar, que não imaginava sua vida totalmente diferente, mas que é grato por ter conseguido coragem para seguir em frente e construir uma nova realidade, onde, no mínimo, você sente que está sendo mais sincero consigo mesmo. É justamente o que estou tentando fazer, por mais que você, com esse super ego de quem sabe tudo, bata o pé julgando o que é melhor para o meu caminho ou não.

Só percebi que um dia talvez esses problemas do presente não tenham a mínima importância. Você acha que não vai superar? Talvez daqui um tempo sua vida já tenha muitas outras preocupações e coisas para ocupar sua mente. Não fique estático. Lide com isso. Aceite o abraço do nosso final, aceite o abraço de cada pessoa e deixe ir, nós sabemos que muito ainda está por vir e que, às vezes, você sente que está dando dois passos para trás, regredindo, quando na verdade está em meio a sua melhor preparação para seguir em frente.

22/12/2016

Séries: Precisamos falar sobre Black Mirror


Chegou em um nível que "Black Mirror" estava surgindo com uma frequência instigante em conversas sobre séries, estava na mesma situação que Stranger Things há alguns meses. É claro que, curiosa como sou, quis apostar em ver pelo menos um episódio. O que aconteceu? Cá estou eu, já completando as três temporadas.


Trata-se de uma série antológica britânica, de 2011 e que começou a ganhar notoriedade quando foi inserida no querido catálogo da Netflix. O que essa série tem de diferente? Fácil, pergunte para algumas pessoas qual é a sensação de ver os episódios, é difícil achar alguém que não se sinta um pouco mexido por pelo menos um deles. Black Mirror faz refletir ao abordar temas de nossa sociedade de uma forma única, especialmente as consequências do uso excessivo da tecnologia.

Cada episódio é basicamente uma história fechada, com atores diferentes. Vai de uma sociedade onde as classes são definidas pelo tanto de curtidas e tudo o que você faz está submetido a fazer com que você ganhe ou perca estrelas, até mesmo uma mulher que acorda em uma casa sem memória e seu sofrimento serve de entretenimento para os outros.


Não dá para assistir e não se questionar um pouco, é uma série que não resulta só em "nossa, que série louca!", mas em indagações que valem muito a pena, principalmente sobre um futuro próximo, conflitos com tecnologia e nossos valores. Parece um super exagero, mas para entender, só vendo alguns episódios. Recomendo!