29/05/2017

Ele não gosta bacon

Meu amor não gosta de bacon. É engraçado como nos pegamos percebendo esse tipo de coisa. Quando você se dá conta, está na fila do MC, sem gostar de ketchup, mas enchendo a bandeja porque lembrou que o hambúrguer, fica sem graça para ela sem aqueles benditos saquinhos vermelhos. Estar com alguém é mais do que apenas dizer, é saber, viver, se sentir diferente.

É escolher com cuidado a coberta porque sabe que a rinite dos dois pode atacar. É ver lançamentos da Marvel e já marcar uma data para assistir juntinho. Não é ficar cego diante todos os outros, mas sim enxergar tudo e saber bem onde quer estar. Os olhos passam a ser mais admirados. Quem diria? Eu parando para dizer como tudo fica mais bonito quando lembro daquele olhar ou do sorriso? Parece coisa de algum livro ou desses filmes melosos que vemos por aí.

Talvez essa seja a graça, estar em uma situação em que provavelmente já duvidei que fosse possível. Só que deixa eu te falar, você, um dia, se pega realmente bobo e cá entre nós? É uma delícia. Se permitir sentir-se bobo por viver um sentimento verdadeiro é algo que devemos a nós mesmos, seja em um relacionamento amoroso, familiar ou de amizade.

A graça é não ter medo, é perceber que sim, aquela mão se encaixa bem na sua, aquele abraço te conforta e tudo bem. Está tudo bem admitir isso, traz mais luz para nossa vida. Ás vezes pode parecer melhor se fechar para o mundo, mas não tem problema não, uma hora ou outra, a gente percebe que apesar da importância de aprendermos a nos virar sozinhos, ter bons laços nos proporciona experiências e sentimentos inexplicáveis, que fazem tudo valer mais a pena.

Pode parecer texto de gente apaixonada e olha, não ligo. Aproveite a chance e perceba as pequenas coisas. Se expresse, abrace, diz que ama, que adora, que quer. Cuide de si e de quem está do seu lado. Pega essas frases clichês e dance com elas. Tem problema não.

Meu amor não gosta de bacon, torce o nariz com meu hambúrguer com três belas tiras, mas apesar de qualquer diferença, entendemos que amor não é completar o outro e sim transbordar. Não é podar, é cultivar. Não é impedir de voar, é ser capaz de voar junto.

27/04/2017

Espalhe o bem: Projeto Inglês Para Todos

Imagina o quanto pode significar para as pessoas ter aulas gratuitas, que buscam muito mais do que o inglês, trabalhando o empreendedorismo, identidade cultural e cidadania? É com essa proposta que o Projeto Inglês Para Todos surge, atendendo os moradores do Parque Santo Antônio e região, com a psicóloga e gerente de projeto social Débora Burigatto, como responsável.

Os materiais e o modo de ensino contribuem para que o curso consiga ir além do inglês, onde além da certificação como nível intermediário, aprendam também estratégias para continuar os estudos, seja em instituições de ensino ou sozinhos. Ainda mais, caso seja identificada a existência de habilidades para lecionar, alunos serão capacitados para dar aulas aos novos inscritos do nível básico, continuando assim o projeto. Isso mesmo, além de aprender uma nova língua, você ainda trabalha valores, se desenvolve, ganha uma melhor percepção de identidade cultural, cidadania e pode contribuir com a continuação do projeto, ajudando assim outras pessoas!

As INSCRIÇÕES serão realizadas até o dia 03/05 no SACOLÃO DAS ARTES, oferecidas - inicialmente - a jovens entre 12 e 18 anos sendo as vagas LIMITADAS.



Para entrar em contato, é possível enviar mensagem pela página do Facebook ou pelo e-mail pipt2017@gmail.com.

21/04/2017

Dica de filme: Fragmentado [SPOILER]


Por que o filme Fragmentado é bom? Assisti duas vezes sem protestar e achei incrível, principalmente a atuação de James McAvoy, que interpreta Kevin, um rapaz que tem 23 personalidades distintas, por conta de um transtorno dissociativo de identidade e particularmente, pelo menos na minha percepção, o ator fez bem seu papel, ou melhor, seus papéis, pois é possível notar as diferentes expressões e características de cada personalidade, que vai desde uma criança, até mesmo um estilista e uma mulher. Ok. Já deu para entender que achei incrível, agora vamos finalmente falar sobre o filme!

Fragmentado tem direção e roteiro de M. Night Shyamalan, quem é esse cara? O mesmo que dirigiu O Último Mestre do Ar, A Vila, Corpo Fechado, A Dama na Água, Sexto Sentido, entre outros títulos. Em Fragmentado, algumas das facetas de Kevin, Patricia e Dennis, querem manter o controle e liderança, tirando a "luz" de outras personalidades. 

Eles querem dar espaço a algo maior, querem que acreditem em seu poder, especialmente por meio da Fera e para isso, sequestram três garotas, que tentam escapar, mas apenas uma sobrevive por conta de todo o sofrimento que já passou, Casey (Anya Taylor-Joy), tem sua história também contada ao longo do filme, o que nos leva a entender tudo o que já passou, compreendendo também um pouco de sua personalidade.


Tudo no filme parece ser bem pensado e ao longo dele vamos descobrindo mais detalhes, juntando as peças, podemos até pensar que no final dá tudo certo, mas não, Kevin é colocado para "dormir" bem longe por suas personalidades que possuem intenções ruins e elas passam a ter controle, fugindo após a morte das garotas e sobrevivência de Casey. O que fez a dúvida de uma continuação surgir, já que existiu esse possível gancho no final. 

Veja o trailer a seguir:


13/04/2017

Precisamos falar sobre 13 Reasons Why e compreensão

Já aviso que tem spoiler. É necessário ainda abordar 13 Reasons Why? Mesmo depois de tantas críticas e repercussão nas redes e círculos sociais? Falar MAIS dessa série? SIM! Por qual razão eu enxergo essa necessidade? Assim como Black Mirror, ela aborda questões essenciais para a sociedade. No entanto, 13 Reasons Why vem com o diferencial: o suicídio que é deixado claro desde o começo da série. Muitos sabem que existem, muitos sabem que o número é grande, mas pouco se fala. A questão é que existe recomendações da OMS para a forma que a mídia retrata o suicídio, não só em filmes e séries, mas até mesmo os jornais e revistas contam com restrições e são cautelosos ao se tratar desse assunto.

Por essa razão, não se recomenda para que todos vejam a série e existem avisos em alguns episódios sobre cenas que podem ser fortes. Afinal, pode gerar um efeito cascata e não há palavras para descrever o quanto seria lamentável. Para quem ainda não sabe, a série, mostra, basicamente os motivos que levaram Hannah Baker ao suicídio. Li alguns comentários infelizes de que Hannah não sofreu muito para fazer isso, mas desde quando o sofrimento alheio pode ser pesado e julgado dessa forma? Uma palavra, uma ação, pode ter um peso imensurável para alguém e quando a pessoa não conta com a ajuda necessária, com o passar do tempo, o que muitos julgam como "pequenas coisas", acaba tendo consequências devastadoras.

É preciso falar sobre o suicídio buscando reverter o quadro, vi notícias que retratam que a busca por ajuda aumentou depois da repercussão da série. Buscar ajuda em caso de depressão, entre outras questões psicológicas, é difícil para quem precisa enfrentar, mas enxergar a importância de fazer isso, é possível e é algo que merece ser impulsionado. Hannah Baker teve outro destino, as pessoas de seu círculo social escutaram fitas para saber o que tinham feito a ela. Besteira ter feito as fitas? Não ter conversado? Não ter buscado mais ajuda? Ter cometido suicídio? ESSAS NÃO SÃO AS QUESTÕES. As pessoas precisam respeitar mais, sair de suas bolhas e olhar mais pelo próximo, é uma mania infeliz questionar as razões que fizeram de uma pessoa vítima em toda situação, roubo, estupro, entre tantas outras, já perceberam? A vítima parece contar com mais questionamentos do que qualquer um. Isso tem que parar.

A série é necessária por dar brecha para a reflexão, se atente ao seu redor, ao reunir assuntos como bullying, estupro, suicídio, machismo, entre alguns outros, ela acaba chocando muito mais do que estamos acostumados a ver. O suicídio de Hannah é mostrado, o estupro de duas meninas é mostrado, assistimos o desgaste, o choro, as piadas, ouvimos coisas que geram tamanha indignação e choque, talvez justamente por sabermos que é real. Só escrevendo esse texto que percebi realmente a razão de eu ter gostado tanto da série e defendê-la, não estamos nem um pouco distantes de 3 Reasons Why e é preciso trabalhar muito para que o cenário mude.

Uma das questões mais complicadas é a compreensão, é realmente entender que não adianta aplaudir a série e insistir em dizer que muita coisa é frescura, em "zoar" aquela pessoa na escola e compartilhar imagens/vídeos com comentários infelizes. Nem tudo é piada. Quando dizem que devemos considerar que cada um enfrenta batalhas que não conhecemos, não é só pra compartilhar e ganhar likes, é para levar a sério isso para sua VIDA. Não diminua, nem machuque alguém para se sentir bem, não seja um porquê.

23/03/2017

A depressão e florescer

Na mente, um incômodo sem explicação vai surgindo. O peito alerta para a sensação de aperto. São tantos pensamentos, de onde vocês estão surgindo? Por que a respiração já não é a mesma? Minha cabeça dói, já não sei mais até que número contar para dar sentido a história de que isso ajuda a acalmar.

Aconteceu algo com a concentração, está fora de controle. A memória, às vezes, dá uma escapada entre tanta turbulência. É válido lembrar, e o ânimo, cadê ele? Se faça presente, pelo menos você. Alguns dizem que é preguiça, mal sabem que se for pra ser apenas preguiça, estamos implorando por ela.

Os olhares são estranhos, algo está machucando. Como lidar com aqui dentro sem conseguir o suporte do lado de fora? Respira, respira, respira. Vai passar. Aumenta dose. Troca a terapia. Uma crise, uma dor, um desespero, uma lágrima. Passa, passa sim. Lá fora quem te julga, nem imagina cada luta, dia após dia.

Você ainda sabe florescer, eu sei que sabe. Nós sabemos. Depois de cada aperto, dor e lágrima, o suspiro ainda pode ser leve. Pode não ser hoje, pode não ser amanhã, mas um dia será e você terá certeza que algo muito bonito e forte ainda existe em ti. Só não desista.